A Carris tem agora em curso uma campanha de combate à fraude, pedindo (ou urgindo?) os utentes a abrirem os olhos e combaterem a fraude. A comunicação pode, a meu ver, ser interpretada de dois modos bem distintos: um primeiro algo negativo e um outro de saudar, que acredito ser a verdadeira intenção por detrás da mensagem.
Por um lado podemos ver nas palavras e na imagem (um grande par de olhos, qual Big Brother) um incentivo ao vigilantismo e à denúncia. Não creio ser disso que necessitamos.
Mas também podemos ler na frase um apelo à reflexão e à conciencialização. Há demasiada gente que acredita verdadeiramente que não pagar um bilhete não prejudica ninguém. Há demasiado tempo que consideramos que tudo o que "damos" ao Estado é roubado, enquanto que tudo aquilo que ele nos "dá" é devido e peca por defeito.
Penso que a campanha seria mais eficaz se apresentasse números concretos. Eu, pelo menos, gostaria de ler algo como se a fraude nos transportes fosse reduzida para metade poderíamos baixar o preço dos bilhetes em x €. Talvez algo semelhante venha a acontecer na 2ª fase da campanha, a ter início já na quinta-feira segundo esta notícia. A mesma fonte adianta também alguns números, como a taxa média de fraude na Carris (15.2%). São números demasiado pesados. E não podem ser devidamente aliviados com maior vigilância, sob pena de nos vermos a braços com encargos ainda mais pesados ou de cairmos no autoritarismo. Não; temos mesmo de cooperar.
Da parte do estado e das empresas, contudo, há também muito que poderia ser feito. É ridículo, por exemplo, que um portador de passe não o possa carregar num autocarro, tendo de comprar um (caro) bilhete simples para depois o carregar posteriormente. Mas não podemos usar essas falhas como escudo para o nosso comportamento. Cooperemos.
Filipe Baptista de Morais
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