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domingo, 8 de março de 2015

Morrer na Praia

Estava já há muito tempo para escrever um texto sobre a EMEL. Mais concretamente, sobre várias coisas que não me agradavam no sistema de parquímetros. O facto de não aceitarem pagamentos por cartão, por exemplo, levava a que frequentemente pagasse mais do que pretendia (já que as máquinas não permitiam seleccionar a quantia desejada e, logo, não dão troco). Por outro lado, o facto de não poder efectuar um estacionamento por tempo indefinido (pagando à saída, como nos parques com cancelas) leva a que uma pessoa tenha que adivinhar quanto tempo vai durar o seu estacionamento. Isto é frequentemente impossível, visto que muitas vezes depende de outros e leva a que sobreestimemos o tempo necessário (pagando mais), sob pena de os subestimarmos e corrermos o risco de ser multados. Tudo isto melhorou agora substancialmente com a app da EMEL (pelo menos para os utilizadores munidos de smartphones) que veio resolver os problemas acima mencionados e ainda trazer melhorias a nível de conveniência e também de foro ambiental. *

Vou fazer agora um pequeno desvio para falar de outro situação pessoal. Há pouco tempo faltei uma semana ao trabalho, por motivos de saúde. Sendo tudo isto ainda novo para mim, apenas me informei sobre os procedimentos a tomar após o meu regresso ao trabalho, tendo-me sido dito que necessitava de uma CIT (certificado de incapacidade temporária) passado pelo meu médico de família, e de o entregar na segurança social. Ora eu tinha uma CIT, mas passada pelo Hospital na qual tinha sido tratado e, visto que o meu médico de família nunca chegou sequer a ter conhecimento da minha situação, não me parecia lógico ter de o envolver nesta situação. Tentei informar-me. Do hospital disseram-me  que, de facto, a CIT passada por eles era inútil do ponto de vista do reembolso da parte da Segurança Social. Pesquisando na Internet encontrei a mesma informação. Não conformado com algo que me parecia francamente parvo, desloquei-me ao meu centro de saúde. Disseram-me que, de facto, a CIT tinha que ser passada pelo meu médico de família e, também, que não valia a pena marcar consulta para tal efeito já que esta teria que ter sido entregue na SS durante os primeiros cinco dias de doença (mais tarde confirmei esta informação junto da SS). Aproveitei para perguntar se, tendo a CIT, a poderia enviar em formato electrónico por e-mail ou semelhante; a resposta foi negativa (teria que a entegar em papel e pessoalmente, algo engraçado visto a pessoa estar de baixa).

Sendo que, felizmente, perder dois dias de ordenado não me faria assim tanta diferença e não estando para me chatear mais com o assunto decidi deixá-lo morrer. Passados alguns dias recebi no correiro um cheque com o re-embolso devido passado automaticamente.

Em ambas as histórias acima uma entidade prestadora de serviços identificou um problema/limitação e resolveu-o/melhorou-o. A diferença é que no caso da EMEL a solução (app para smartphones) foi amplamente promovida e publicitada, enquanto que no caso do SNS/SS não só não estava informado dos procedimentos necessários como fui constantemente mal informado, quer pelas páginas oficiais quer por funcionários das mesmas. Neste caso terminou tudo em bem, tirando o tempo que perdi (e fiz perder a outros). Mas se faltasse algum procedimento, poderia ter perdido o $ por me terem sido dadas (muitas) informações erradas. Ou, se não tivessem passados os ditos cinco dias, poderia ter faltado mais uma (duas?) manhãs no trabalho para ir pedir a CIT e entregá-la na SS, desnecessariamente.

 Há muita coisa que funciona mal no País, seja por falta de visão, competência, meios ou dinheiro. Isto pode ser revoltante, mas é também compreensível e acontecerá sempre em todo o lado, É mais frustante quando as soluções para os problemas existem, mas as pessoas as desconhecem e portanto não as utilizam. Bons exemplos disto são o cartão do cidadão, o portal da saúde e o software à disposição dos médicos no SNS. Todos têm funcionalidade muito úteis que ficam por utilizar por os seus utilizadores as desconhecerem. E isto é particularmente frustrante porque já se gastaram na mesma a maior parte dos recursos. Ter estas soluções e não as divulgar ou não dar a formação necessária à sua utilização é como escalar o Evereste e esquecer-te de plantar a bandeira e colher os louros.


Filipe Baptista de Morais

*Fica por resolver o não patrulhamento dos parques. No parque no exterior do Hospital Santa Maria, por exemplo, é preciso ter mesmo muitas moedas já que, para além do parquímetro, são também necessárias para apaziguar os arrumadores que por lá passeiam 24/7.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Focar

Recentemente actualizei o meu perfil de LinkedIn. Ao contrário daquilo que costumo fazer, não fui lá adicionar novos campos, "feitos" e competências. Muito pelo contrário: fui lá com o intuito expresso de remover algumas das competências que me tinha atribuído aquando da criação do perfil.

Não o fiz por as ter perdido, ou por ter mentido sobre elas. Simplesmente achei que não eram relevantes para aquilo que pretendo para a minha vida profissional. É comum ouvirmos os gurus da gestão (quer a nível empresarial quer a nível pessoal/ de carreira) falar da importância do foco, de identificarmos aquilo que é central e descartarmos aquilo que é acessório. É igualmente comum respondermos a esta mensagem com um encolher de ombros, já que ela nos parece óbvia para quem tenha dois dedos de testa e não parece conter em si nenhuma sabedoria superior.

No entanto creio que, se pensarmos bem no assunto, são muitas as áreas da nossa vida a que podemos aplicar esse ensinamento. No caso dos CVs é comum recém-licenciados com várias páginas de currículo que, no final, em nada os distinguem de tantos outros. Mas pior que encher chouriços é apregoar competências de que não queremos fazer uso. Conheço muita gente, por exemplo, que salienta no currículo experiências profissionais que detestaram e não pretendem repetir (caso comum são experiências part-time em call centers). Ora é de esperar que, se um possível empregador valorizar essa experiência, é porque lhe reconhece algumas similaridades com o posto para o qual procura candidatos. Estamos assim apenas a habilitar-nos a que nos ofereçam posições para as quais não temos interesse.

No meu caso não removi experiências mas sim competências (eg: ferramentas de Office) que, apesar de possuir, não pretendo utilizar na minha carreira profissional. Este foco não serve apenas para nos facilitar a vida em termos de nos poupar contactos para posições que não desejamos; ajuda também a que os empregadores encontrem em nós as competências que consideram necessárias para o nosso trabalho de sonho, sem se perderem num mar de irrelevâncias.

Infelizmente continua a ouvir-se que um currículo "quanto mais cheio melhor", ou "escreve tudo aquilo de que te lembrares". Talvez seja de reconhecer que aquilo que não escrevemos pode dizer quase tanto como aquilo que escrevemos.

domingo, 25 de maio de 2014

Atlântida

 Embora um pouco atrasado, decidi falar um pouco sobre os Açores, onde passei umas curtas férias (4 noites) no passado Março. Mais concretamente, falo da ilha de São Miguel, sendo que as restantes não ficaram certamente por visitar.

São Miguel aparenta ser o resultado de uma (pacífica?) guerra entre o Homem e a Natureza, da qual a última parece ter saído vencedora. Embora a capital, Ponta Delgada, tenha todas as comodidades que se podem esperar de uma cidade (pelo menos enquanto turistas), assim como monumentos de interesse turístico e histórico (portas da cidade, forte de São Brás, diversas igrejas, etc...) o principal atractivo de uma viagem à Ilha são certamente as suas paisagens naturais. Ainda assim, não posso deixar de recomendar que reservem pelo menos um dia para passear pela cidade, e alguns instantes para relaxar com uma bebida nas Portas do Mar (zona de bares/cafés junto das docas, com a entrada pomposamente assinalada, assim como a data da sua inauguração pela ex primeiro ministro José Sócrates). Embora não o tenha desfrutado pessoalmente, penso que também deve ser uma boa zona para diversão nocturna. As ruas são algo apertadas e confusas para conduzir, portanto aproveitem o facto de a cidade ser convenientemente pequena e façam uso das pernas.

Saiamos portanto de Ponta Delgada. O resto da Ilha também não é, na realidades, assim tão vasto, e uma tarde chegaria certamente para dar uma volta completa de carro. Isso, claro, ignorando os miradouros assinalados ao longo da estrada a cada 500m.

Recomendo que façam o mesmo que eu: aluguem um carro (em todo o tempo que andei a passear não vi um único autocarro fora das ruas da cidade, além de vão certamente apreciar a liberdade extra que ser senhor e mestre do nosso tempo nos proporciona), escolham um dos pontos "a não perder" da ilha, e conduzam "vagamente" na sua direcção. Digo vagamente porque grande parto do encanto está precisamente em desviarmo-nos constantemente do caminho para parar nos ditos miradouros ou, melhor ainda, não fazer ideia de em que caminho estamos. Certifiquem-se apenas que levam um co-piloto (penso que resulta melhor se for uma mulher bonita) para vos indicar o caminho de volta. Evitem ao máximo estabelecer horários ou marcações: o clima é de total anti-stress e não convém perturbá-lo.



Dito isto, e como tempo é limitado, convém certamente fazer um planeamento, no sentido de ver quais os pontos a visitar que se encontram próximos, e qual a sequência por que faz mais sentido percorrê-los. Se não gostam ou não confiam nos guais online e em papel não se coíbam de falar com os locais: os Micaelenses são extremamente simpáticos, amistosos e sempre dispostos a ajudar o pobre do turista. Seja como for, façam por não perder a famosa Lagoa das 7 Cidades, a Lagoa do Fogo (pessoalmente considero-a o ponto mais bonito da ilha), a cascata no Nordeste, a costa Sul de um modo geral (o mar Açoreano é lindíssimo...) e as fumarolas. Imperdível também o banho na água férrea (quentinha) das Furnas.

Para os amantes de animais, é bastante fácil aceder a passeios de barco para observação de cetáceos, mesmo fora do Verão. Apesar das preocupações com nao perturbar os animais, podem contar com estar suficientemente próximo de golfinhos para derreter qualquer gaja. Já quanto a baleias, infelizmente não tive a sorte de as poder observar (foi-me dito que é mais fácil no Verão), embora tal se deva em parte ao facto de a nossa saída ter sido encurtada devido a uma das passageiras se estar a sentir mal. Aproveito para deixar a dica: embora não sejam propriamente radicais, estes barcos não são indicados para quem procura uma viagem mais comodista e/ou tenha problemas de coluna ou outros. Para os maiores aventureiros aconselho a informarem-se sobre actividades radicais nas redondezas: creio que há empresas dedicadas a asadelta e afins que devem ser muito interessantes.

Gastronomicamente, come-se muito bem por lá. Os peixes são algo diferentes dos que estou habituado a ver em Lisboa e no Algarve (ou terão apenas outros nomes?) mas isso não me coíbiu de experimentar alguns, do qual não me arrependo. Não deixem, no entanto, de provar comer um (ou mais) bifes da deliciosa e tenta carne Açoreana. Dito isto, recomendo que passem também por um restaurante vegetariano (o único que repeti na minha estadia) em Ponta Delga, chamada Rota das Ilhas. Comida deliciosa (já sabem que não sou vegetariano, portanto não tenho esse enviesamento) e com uma apresentação admirável e, acima de tudo, um excelente atendimento e um espaço muito recatado e acolhedor. Perfeito para um jantar a dois. Não se esqueçam também de provar o típico cozido das Furnas.

 All in all, São Miguel é o sítio perfeito para uma férias mais perto da Natureza, sem abdicar de qualquer comodidade  (incluindo as gastronómicas!), tornando-o uma excelente opção para relaxar e/ou passar um dias com alguém especial. Suponho que também sirva para umas férias mais aventureiras (e bebidas) com um grupo de amigos.


 Filipe Baptista de Morais

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Assistência Justa

Em Portugal fala-se muito no conceitor de fair-play, quase sempre associado ao futebol, esse rei que tanto tempo nos ocupa nos noticiários. Embora muitas vezes associado ao combate aos comportamentos racistas, o fair-play é na realidade um conceito que praticamente se abstrai dessa temática. Traduzindo à letra obtemos algo como jogo/jogada justo/a, enquanto que o termo mais comum para o substituir é simplesmente desportivismo. No fundo consiste em jogar o jogo sem artimanhas, sem recorrer a nenhuma vantagem deslear e/ou não permittida. Abrande assim métodos como o doping no ciclismo, o esticar os dedos no final de um soco (para estes atingirem os olhos do adversário) nalguns desportos de combate, e as faltas dissimuladas e os mergulhos para a piscina no futebol.

Penso ser agora totalmente claro que vejo o fair-play como algo transversal a todos os desportos. Mas, mais importante e talvez não tão óbvio, considero-o aplicável não apenas aos jogadores, mas a todos os intervenientes. Assim, um árbitro que tome (consciente e propositadamente) uma decisão incorrecta está a ter falta de fair-play, assim como um dirigente de um clube que tente exercer sobre um organismo desportivo ou um médico que forneça substâncias ilegais aos atletas a seu cargo.

Após esta (longa) introdução queria apenas deixar um pequeno desabafo a respeito de uma grave falta de fair-play que presenciei hoje no centralito, um dos courts onde se disputa o Portugal Open. A partida era entre Gastão Elias e Garcia-Lopez, um atleta Espanhol. O público, claro, apoiava em massa o atleta da casa, aplaudindo-o e puxando por ele, nos bons mas também (algo supreendentemente) nos maus momentos. Isto é bonito de se ver.

Aplaudir erros do adversário é que já é algo que me custa a engolir. Aplaudir faltas no serviço, assim como duplas faltas, parece-me estranho e de mau gosto. Fazer barulho durante o acto de serviço (movemento que requer extrema precisão e coordenação, logo também concentração) é inaceitável. Pior que tudo, foram os muitos assobios e vaias que o atleta Espanhol teve de ouvir ao pedir ao árbitro para verificar uma marca que acreditava comprovar uma má chamada da equipa de arbitragem. O árbitro desceu da cadeira, verificou a marca, e deu-lhe razão; o público explodiu em apupos. Que quer isto dizer? Que queremos que o nosso atleta vença ainda que à custa de más decisões de arbitragem?

Várias destas explosões de falta de fair-play afectaram e desconcentraram claramente Gracia-Lopes, prejudicando sem dúvida a qualidade do seu jogo. A sua irritação para com o público era, aos meus olhos, tão visível como justificada. Não quero com isto tirar qualquer mérito a Gastão Elias, que jogou a sua partida e venceu-a com todo o mérito. Quero apenas deixar uma crítica veemente aos adeptos que incidem neste tipo de comportamentos.

Infelizmente não é a primeira vez que vejo este tipo de comportamentos nesta competição. Cheguei a ver, inclusivé, um jogador a ser vaiado ao erguer a taça de vencedor da competição. Triste. Não sei porquê, mas imagino sempre os tele-espectadores de um jogo de futebol no bar da esquina, a embocar cerveja enquanto petiscam uns tremoços. Já aos de uma partida de ténis, costumo imaginá-los a saborear um whisky velho no bar do hipódromo. Talvez seja apenas uma parvoíce. Mas também pode bem ser que o fair-play não se encontre num casaco e gravata.


Filipe Baptista de Morais


domingo, 20 de abril de 2014

Meia-Maratona da Golegã

No passado dia 13 de Abril participei na Meia-Maratona da Golegã. Esta não será certamente das provas mais conhecidas, mesmo em território nacional, tendo como tecto máximo 300 participantes (atingido e creio que até marginalmente excedido este ano).

Aproveitei ainda para passar o fim-de-semana na vila, onde nunca tinha estado, na clássica fuga à routina citadina. Apesar de não ter grandes atracções turísticas, (o jardim da casa estúdio Carlos Relvas é bem bonito) é um local tranquilo e engraçado para se passear durante um fim-de-semana na melhor das companhias. Como é típico destas zonas, as pessoas são muito simpáticas (e conversadoras...) e come-se muita bem.

Em relação à prova em si tinha um percurso totalmente plano, sendo portanto uma eventual oportunidade para bater records. No meu caso não fui correr sozinho nem com espírito competitivo, pelo que completei a prova com  uma serena 1h 55m. Os postos de apoio eram suficientes e bem distribuídos, com voluntários em trajes típicos a fazerem a distribuição das águas. No final, os 6€ de inscrição ainda serviam para almoço de churrasco num jardim onde creio que se juntou toda a vila ou perto disso. Essa foi a única parte onde a organização talvez tenha falhado um pouco, já que tive de esperar cerca de 2h (ao sol...) para obter a minha comida. Mas por um preço tão acessível não nos podemos queixar, ainda para mais não sendo o churrasco obviamente obrigatório. Ficou a faltar, mais uma vez, a medalha...


Filipe Baptista de Morais

sábado, 12 de abril de 2014

Re-match

Two weeks ago I missed out on the Lisbon Marathon due to health issues. That raised to 5 (perhaps more?) the number of races I signed up for and then ended up not running, just in the last couple of months.

While the fees involved are not entirely neglectible, it is the mental stress that concerns me the most when something like this happens. In order to overcome this mental barrier, I've already signed up for five races, the first being this very night and the last one in early December.

None of them, however, is an actual full distance Marathon. With an even score in this dreaded competition (one completed and one dropout), I'm literally itching to prove myself capable of doing it again. And a third time, and every time I so damn please for that matter. Unfortunately, it seems like the next come coming around this western-most side of Europe is only due June. I'll be waiting.

Until then I'll keep collecting lower rank medals. Time goals, as of now, are pretty modest though. Only in the Lisbon Half-Marathon (December) will I actually even try to beat a personal record. Still, I don't consider myself defeated by my former self in any distance range. Be it 10Km, 21Km or 42Km, there will be a re-match. And then another and yet another after that, until I finally renew my time scores. What then? Well, records are meant to be broken. Re-Match.

(December 2013, forgotten in the draft sections until now)

Filipe Baptista de Morais

segunda-feira, 17 de março de 2014

24ª Meia-Maratona de Lisboa EDP

No passado Domingo, como certamente deram conta, teve lugar a 24ª Meia-Maratona de Lisboa EDP. Desta vez as inscrições encontravam-se esgotadas, com 27.000 participantes (embora a maioria estivesse inscrita na mini).

E aí começaram os problemas. Chegando ao local da prova "em cima" da hora de partida (cerca de 45minutos antes...) vi-me envolto numa multidão tão densa que foi impossível aproximar-me sequer da ponte. Mal notei quando deram o tiro de partida e, quando cruzei o pórtico de partida e liguei o meu cronómetro, o contador geral marcava já 37minutos de prova.

Mesmo então não se pode propriamente dizer que corríamos, mas antes que prosseguíamos em ziguezague aos saltinhos, tentando desesperadamente arranjar espaço por entre o magote de gente. Numa prova com 24 edições de experiência, e em que se sabe que a grande maioria dos inscritos vai para a prova mais curta andar, não é todo justificável que não haja um acesso a uma zona de partida especial para os atletas da meia-maratona. Como acontece, aliás, na corrida homóloga na ponte Vasco da Gama.

Devo dizer, a jeito de curiosidade, que a maior parte das pessoas em meu redor não parecia de todo incomodada. Excepto um casal de atletas holandeses equipados a rigor que, muito certamente, não voltarão a meter os pés neste país. De resto via-se muita alegria e felicidade, com pessoas de todas as idades a passear em família, por vezes com cães e bebés à mistura. E isto só mostra, mais uma vez, a diferença abismal de público alvo entre os atletas da meia-maratona e (a grande maioria d')os participantes da mini. Seria essencial terem zonas de partida diferentes, se não mesmo horas ou dias.

Devo dizer que a partida foi também retardada pelo acesso muito estreito à ponte, que volta e meia era interrompido por os seguranças terem de interceptar ciclitas ou pessoas que, muito conveniente diga-se, "não faziam ideia" de que era necessário efectuar uma inscrição. Costuma-se dizer que somos desenrascados. Talvez; lata não nos falta certamente.

Também não gostei daqueles que aproveitaram o evento para fazer política e/ou propaganda para outros fins. Não gosto mesmo de ser fotografada/filmado junto de pessoas aos berros exibindo cartazes com os quais não me identifico e/ou não escolhi apoiar. Além de que cada evento tem o seu propósito, e não é de bom tom tentarmos utilizar todos em nosso proveito.

A partir do 4º ou 5º Km (6º ou 7º reais, se contarmos o caminho até à partida e todos os Ss...) separavam finalmente as águas, e de repente a estrada encontrava-se vazia. Conseguimos então finalmente correr um bocadinho a um ritmo constante.

Infelizmente a minha parceira de corrida começou a sentir uma pontada no joelho pouco depois, pelo que a deixei na curva perto do terreiro do paço, mesmo antes do 8º Km, e prossegui então sozinho (já sei, sou uma pessoa horrível). Acelerei então dos cerca de 6min/Km (um pouco mais lentos até devido às circunstâncias complicadas) para volta dos 4min30s/Km, que mantive quase até ao final. Nos últimos 2Km abrandei significativamente, mais por falta de motivação do que por cansaço.

No final deram a medalha da praxe (uma prática que felizmente escolheram manter!) e um gelado ateatório. As tão apregoadas bananas da madeira já tinham esgotado.

O melhor estava para vir. Apanhei o eléctrico em Belém de volta para Lisboa, mas este apenas foi até Santo Amaro de Alcântara. Esperei noutra paragem mais em frente uns 5minutos por outro veículo, mas ao ver que o placard teimava em anunciar que este ia demorar mais um minuto (será que ainda falta um minuto?) desisti e comecei a encaminhar-me a pé. Ainda vi passar um 728, mas vinha apinhado e não saíu ninguém; impossível entrar. Vim portanto até ao Cais do Sodré, meio a correr meio a andar, sem ver passar mais nenhum autocarro ou eléctrico. Excelente organização não haja dúvida.

De positivo deixo apenas os abundantes e bem abastecidos postos de apoio, a medalha e a T-Shirt (muito gira). Não fique com grande vontade de voltar para o ano.


Filipe Baptista de Morais

sábado, 22 de fevereiro de 2014

(Não) Esquecer

Há uns meses o jornal Metro publicou uma entrevista com o actor Jake Gyllenhaal, em que este confessava um dos seus maiores receios na vida: perder oportunidades. É um medo legítimo e partilhado por muitos, já que hoje em dia somos bombardeados com tantas escolhas (leia-se oportunidades) que é impossível não falhar algumas. Já para não falar daquelas que apenas surgem quando as procuramos.

Talvez por isso mesmo tento olhar para a questão de outro ângulo, que não dá azo a receios: já que as oportunidades são tantas, mesmo perdendo uma grande parte delas conseguimos ter uma vida preenchida e realizada. Os meus receios são outros, e provavelmente advém da minha memória extremamente selectiva e caprichosa. Mais do que perder oportunidades,receio esquecer-me das que agarrei. Isto porque quando perdemos uma memória, quando esquecemos uma palavra, uma acção, uma pessoa, para todos os efeitos ela nunca existiu. Passado, presente e futuro, todos perdidos em simultâneo devido a uma memória mal arrumada.

Quando era mais novo tinha episódios de sonambulismo. O mais interessante (e assustador) do sonambulismo é que o próprio, ao acordar, não se recorda de nada do que fez. Por vezes interrogo-me como seria acordar um dia sem qualquer memória. Toda uma vida perdida. Os nossos amigos e conhecidos contar-nos-iam histórias de quem éramos, mas acreditaríamos neles? Ainda que o fizéssemos, conseguiríamos ligar-nos a esse personagem estranho que fomos, desvendar os seus actos e intenções? Creio que não, e que essa perda significaria um verdadeiro renascer.

Talvez ainda mais interessante seja pensar no impacto que isso teria na vida dos outros. Os nossos amigos, por exemplo; continuariam a sê-lo quando não mais nos ríssemos das private jokes, partilhássemos recordações de viagens, tivéssemos conhecidos em comum? Ou a nossa namorada. Continuaria a sentir a mesma intimidade ao saber que esquecemos todos aqueles momentos? Melhor ainda, continuaria ela mesma a dar-lhes importância ao saber que ninguém os partilhava? Não seriam muito diferentes de alguma alucinação ao delírio.

Somos as nossas memórias, e as que os outros têm de nós. Não é por acaso que fotografamos os momentos mais importantes das nossas vidas. Outras coisas tentamos pô-las por escrito, garantindo assim a sua sobrevivência. Já os nossos antepassados procuravam a eternidade nos anais da História. Nem todos podemos viver para sempre, no papel e nas memórias dos outros, mas certamente que devemos tentar fazê-lo pelo menos enquanto respiramos.


Filipe Baptista de Morais

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Trail de Bucelas


Após a arrancada da temporada no último Domingo em Sintra, hoje somei mais 25Km (e dos bons!), desta vez na zona de Bucelas.

Uma prova de trail muito interessante, e bem à saída da cidade. Desengane-se quem julga que tem de andar muitos quilómetros de carro para encontrar lindas paisagens bucólicas e trilhos aventureiros. É também uma prova dura, já que apesar de não ter chovido não falou lama escorregadia (duvido que alguém tenha terminado a prova sem o rabo enlameado), subidas impossíveis e descidas assustadoras e, claroa travessia de um riacho. Como ainda não tenho uns ténis de trail e não queria estragar os meus amados ténis de prova de estrada levei um par já velhinho que encontrei para aqui, e que geralmente já só servia para jogos de paintball. Creio que vai direitinho para o lixo.

Uma prova também pautada pela boa disposição e ambiente pouco competitivo e amigável, tanto da parte dos outros atletas como da organização. Percorri-a nas calmas a acompanhar um amigo, andando nas subidas e correndo devagarinho nas rectas e descidas (enquanto as pernas o permitiram pelo menos), terminando em umas humildes quatro horas e meia. Os postos de abastecimento estavam bem distribuídos e equipados, com bananas, laranjas e bolachas.

Fiquei com pena de não me ter inscrito para o almoço, para ficar a conhecer também a comida da vila (que cheirava muito bem tenho de dizer), assim como o vinho.

De negativo apenas tenho a apontar a falta de água no último abastecimento (ie: na verdade tinham água, mas falta de copos para a distribuir), o facto de a T-Shirt da prova não ser técnica e, mais uma vez, o não atribuírem uma medalha aos participantes. Parece que isto, infelizmente, é uma moda que está a pegar. Bem, se calhar vou ter de passar a coleccionar outra coisas. Selos, quiçá.

Para o ano devo lá voltar.


Filipe Baptista de Morais

domingo, 26 de janeiro de 2014

Grande Prémio Fim da Europa

O início do ano já lá vai e começava a arrastar-se o início da época de atletismo. O Grande Prémio Fim da Europa surgiu assim como a prova perfeita para terminar esse já longo jejum.

À semelhança da edição de 2010 a chuva, o vento e o frio não quiseram ficar de parte, apesar de numa intensidade bem inferior e mais simpática. Já o sono, esse sim fez-se sentir dolorosamente. Mas tudo isso fica esquecido perante a bela (e inclinada!) serra de Sintra envolta na sua característica neblina.

Fiz a prova sem grandes preocupações competitivas, mantendo uns confortáveis 7m30s/Km nas subidas mais íngremes, 5m30s/Km nas descidas e por volta de 6m/Km nos escassos troços planos.

Penso que a beleza do troço final até ao Cabo da Roca por si chega para convencer todos os participantes a madrugarem novamente para o ano. Não é por acaso, aliás, que esta prova esgota sempre rapidamente as inscrições.

Falando agora da organização, de salientar as marcas em todos os quilómetros e os postos de abastecimento bem situados e guarnecidos de pessoal. Pela negativa apenas o facto de o último marco estar descaradamente mal colocado (ou a distância anunciada errada por uns bons 500m), a falta de medalha de recordação para os atletas (esta nunca posso deixar passar) e a espera algo demorada pela partida dos autocarros de volta para a zona da partida. Mas talvez esta última seja inevitável, excepto se fechassem o circuito, tornando a prova nuns duríssimos ~30Km que certamente muitos dos atletas hoje presentes teriam dificuldade em completar.

No final da prova, e devido a um "wrong turn", acabámos a tomar café e pedir indicações numa churrasqueira (cheirava bem que se farta! e a fome também já era muita...) cujo dono se veio a revelar um ex-vencedor da prova com uns espantosos 53mins. Eu dou-me por satisfeito com os meus 1h41m54s.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Meia-Maratona dos Descobrimentos

Name: Meia-Maratona dos Descobrimentos
Length: 21Km
Date: 8th of December 2013
Minimum Goal: - 1h42m
Personal Challenge: - 1h30m
Personal Record for this Distance: 1h31m33s


Today the first edition of the "Meia-Maratona dos Descobrimentos" (Half-Marathon) took place. The need for this new racing event in Lisbon arised from the fact that, this year and for the very first time, the Lisbon Marathon and Half-Marathon took place at the same day, back in October if I recall correctly.

I set my expectations for this race with great care. On the one hand, my surprisingly good results in the 10Km race last Sunday and my brand new racing headphones certainly gave me some confidence. The track was also (almost) totally planar, which is obviously invaluable when trying to set a new personal record. On the other hand, after a tiring week and faced with an unusually misty and cold day I must confess I started to lose heart.

Due to some lazyness, I decided to use the same playlist from the last half-marathon I had run a long time ago. Unfortunately, I forgot that the musics were not sorted since I used the Ipod in random play mode back then. For that reason I was first accompanied by Rise Against, then lots of other bands and finally wrapped it up with Dragonforce. It wasn't all that bad.

We started the race way back amongst the crowd. In fact, we arrived at the starting line some thirty seconds before launch and, were it not for the minute of silence in honour of the recently diseased Nelson Mandela, we probably would have arrived late.

Despite that troubling fact, I managed to worm my way around the slower runners and keep a fairly steady pace. In the middle of the track I found myself with a quite steady pace of 4m20s/Km and well on time to achieve my goals. I must admit I was kinda surprised.

In the final Kms I even managed to speed up the pace a little; somewhere in-between the 18th and 19th Km there was split second were my Ipod stood silent (in the end of Soldiers of the Wastelands) and felt myself losing heart (and legs).  But in the moment after "Fury of the Storm" exploded in my ears and I bursted forward seemingly effortlessly.

In the last kilometer I tried to keep up with a fellow runner; my Nike+ system measured 3m55s/Km (but it constantly slightly underestimated my speed throughout the race) which is quite a lot, specially after running 20 kilometers. In the end I was unable to keep with him for the last few hundred meters, but still crossed the finishing line with 1h 29m 20s on my timer. New personal record! More details below.

1st, 2nd, 3rd and 4th Kms: 17m 14s ( average 4m19s/Km )
5th Km: 4m 19s
6th Km: 4m 21s
7th Km: 4m 43s
8th Km: 4m 25s
9th Km: 4m 16s
10th Km: 4m 18s
11th Km: 4m 16s
12th Km: 4m 13s
13th and 14th Kms: 8m 24s ( average 4m12s/Km )
15th Km: 4m 11s
16Km: 3m 57s
17Km: 4m 11s
18Km: 4m 06s
19th Km: 4m 03s
20th Km: 4m 03s
21th Km: 3m 49s
Last Few Meters: 25s
Total: 1h 29m 20s ( average speed: 4min15s/Km or 14.10 Km/h )

As for the organisation: impecable. Useful locker-rooms, accessible bathrooms, well placed and equipped support areas, a beautiful T-shirt and a nice medal. As a last souvenir, I brought home some pins for my collections and some delicious "pastéis de Belém".


Filipe Baptista de Morais

PS: in the end the guy who ran next to me for nearly half of the last kilometer came to greet me, which really cheered me up. That's the sports and fair play spirit we should all try to maintain.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Corrida do Sporting or Ready to Grow Young Again

Name: Corrida do Sporting
Length: 10Km
Date: 1st of December 2013
Objectivos Mínimos: - 42m
Desafio Pessoal: - 39m41s
Melhor Tempo em Provas Semelhantes: 39m41s

Despite the fairly rough course, I had some high expectations for this race, and was keen on trying to beat my 10Km best time set back in 2010. For that reason I carefully prepared a playlist, and decided not to hit the gym in the last 4 days before  the race. Unfortunately on Saturday I still felt my legs complaining a bit from the football match on Wednesday, and I kinda lost heart and, going against the plan, I went to the gym as usual.


This morning I had therefore little hopes of achieving anything, specially after forgetting my Ipod bracelet at home which meant I would have to run without music and Nike+. Still, I decided to go for it in the beginning and then go with the flow. After all, man's reach exceeds his imagination.

 There were different startling lines depending on your previous best times, which would typically be good since it would allow me to start closer to the front line. Unfortunately I was not responsible for my own registration, and so was put way behind the best runners. Thankfully I managed to crawl and sneak my way into the appropriate starting zone.

The race began inside Sporting's stadium's precinct, which was a terrible idea since it meant everyone was funneled up in no time. Despite that small detail, the organisation was pretty great. There was a single support spot at the 5th kilometer: exactly the way I like it.

The course was not ideal, with some ups and downs, with empashis on three horrible tunnels. But this time I decided not to try and keep a steady pace; my experience tells me it is far better to slow down when climbing and then quickening the pace in negative slope stretches. And so I did.

Be it for the tactic, my physical conditions or any other reason fact is the race went extremely well and I finished with 39m31s, improving my personal record by ten full seconds. It does not seem like a lot, but it is when it takes three years to achieve.

Best of all, due to some mess-up after the finishing line, I ended up going to the VIP area. That means that, besides the water and apple everyone else got, I was also entitled to powerade, ice-tea, some other juice, beer, cookies and a quick chat with Bruno de Carvalho, the president of Sporting Clube de Portugal.

This medal will be cherished. So will the T-Shirt, which is quite nice. I will also see this was a good omen for next week's half-marathon.




Filipe Baptista de Morais

 

sábado, 23 de novembro de 2013

It's not you, it's me

My thesis' defence took place last Wednesday. That means that after five full years I am finally parting ways with IST (Instituto Superior Técnico). Yes, I gave that adjective a lot of thought. After considering wonderful, marvellous, tiring, exhausting and lots of others, full seemed about right. It wasn't all rainbows and unicorns, but there were some along the way.

Bottom line is that after five years, two hundred and forty ECTS split into one thesis and almost fifty courses (imagine if it were the other way around!); after many sleepless nights and a similar number of parties, after thousands of mistakes, a lot of theory and a bunch of practice, after learning a lot and teching some, after so many card games in the afternoon and poker nights, after studying and playing football and tennis and skiing, after countless cups of coffee and some cans of redbull, after two ackward conversations for suspicion of fraud, after teaching many of my friends how to play pool and after making those friends, after a lot of beet at Arco do Cego and wine somewhere else, those days have finally come to an end. I could go on for quite a bit longer (trust me on that), but I decided to take pity on the poor reader.

Over the last two years, besides being a student I also worked as a research assistant at ISR (Institute for Systems and Robotics), through which I had the opportunity to continue linked to the school, at least for a couple more years. Why not, then, take the opportunity to extend this important period of my life? Well, as I've learned time and time again along these years, there are some questions which we simply cannot answer Perhaps there is no answer.  Either way, I believe I've finally come to understand the puzzling break-up line it's not you, it's me.

Sometimes everything is not enough and we still need to search for something else. Maybe it's our very human nature that will endlessly tease the explorer whithin use to go on a quest for something that doesn't even exist. And does it even matter, as long as we enjoy the ride? As they say, life's all about the journey, not the destination.

Some months ago I started developping this somewhat weird habit of assigning songs to moments. This was a particularly easy one: enjoy.


Filipe Baptista de Morais

sábado, 16 de novembro de 2013

Meia Maratona da Nazaré

O fim-de-semana passado participei na 39ª edição daquela que é, por vezes, designada como a "mãe" das meias-maratonas em Portugal. Certamente uma prova emblemática, serviu ainda assim como um excelente pretexto para visitar a Nazaré, deliciar-me com a excelente comida que por lá servem (a bons preços) e ainda dar um pulinho à lindíssima vila de São Martinho do Porto.

Mas este post não é sobre turismo. Não encarei esta prova com granda espírito competitivo, até porque ia acompanhar uma estreante e portanto o objectivo "básico" de terminar a prova já pareceu desafiante que chegue. Tivemos a sorte de ficar alojados num hotel a 5mins a pé de distância do local da partida, o que nos permitiu mais umas preciosas horas de sono e ainda, de forma algo caricata, terminar o pequeno-almoço uns meros 5mins antes da partida.

O percurso em si era bastante interessante, visto que dava apenas uma pequena volta pela vila e depois seguia estrada fora até Famalicão, permitindo aos ávidos turistas como eu vislumbrar algumas novas paisagens. Organização impecável, com uma partida não mais caótica do que o habitual (há que ter em conta que estávamos bem na cauda do grupo...) e bons postos de apoio com água e esponjas para refrescar. Uns chuveiros a partir dos 14Kms também serviram bem esse propósito. O meu IPod, devido à minha falta de preparação, ficou sem bateria sensivelmente a meio da prova, mas confesso que nao lhe senti muito a falta.

Como seria de esperar o apoio da população local foi louvável e inspirador, assim como as lindas paisagens ao longo de todo o percurso. Fiquei curioso de saber se existe alguma prova (de trail?) que inclua a assustadora subida até ao Sítio no seu percurso. Seria um desafio interessante. E uma excelente desculpa para voltar a esta linda terra.

O site da prova refere que esta representa uam boa oportunidade para fazer bons tempos, visto ser maioritariamente plana. Aqui, e a partir da minha experiência (nunca fui bom a analisar os gráficos de altimetria), tenho de discordar. Apesar de não haver, de facto, subidas muito íngremes, a maior parte da parte é consistentemente a subir/descer com ligeiras inclinações. A olho ou de carro mal se notam, mas passados uns quilómetros acreditem que elas pesam nas pernas.

As maçãs de Alcobaça que deram à chegada eram deliciosas, e fiquei com pena de não ter provado uma espécie de bolo seco que também ofereciam. De salientar também o excelente preço de inscrição para uma meia-maratona bem organizada.

Completámos a prova calmamente em 2h3min, nada mau para uma estreante! Para o ano devo lá voltar mas, entretanto, vou pôr as minhas pernas à prova mais seriamente na Meia-Maratona dos Descobrimentos, em Lisboa.


Filipe Baptista de Morais

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Os Maiores

Muito recentemente li esta curta notícia, referente aos rankings das escolas nacionais e ao (mais uma vez) excelente resultado que a minha antiga escola (Academia de Música de Santa Cecília) atingiu. Pois bem, está claro que somos os maiores, nada de novo aí, mas para não deixar tristes todos os infelizes jovens que não tiveram oportunidade de a frequentar decidi deixar aqui alguns apontamentos sobra a minha experiência no estabelecimento.

Em primeiro lugar, é uma escola bastante pequena, tendo no meu tempo cerca de 600 alunos espalhados pelos 12 anos. Quem "dá uns toques" a estatística sabe que pequenas amostras têm uma tendência natural para figurar nos extremos das tabelas. Não é disso que se trata no entanto, já que a AMSC figura consistentemente nos lugares cimeiros dos rankings.

Que tem então de tão fascinante? Os professores, de facto, não são maus de todo. Acredito que tal deva ser mais fácil de atingir num colégio privado, em que as contratações e despedimentos são francamentos mais simples, do que numa colégio público. Mas mais do que escolher professores, podem-se escolher alunos. Em primeiro lugar, através das elevadas mensalidades. Digam o que dizerem, e embora ninguém goste de o reconhecer, continua a ser mais fácil para uma criança ter um bom desempenho escolar quando vem de uma família "privilegiada". Posto isto, é ainda possível dar um "empurrãozinho" para que aquele aluno mais problemático que está a estragar as estatísticas ao colégio parta em buscar de novos ares.

Estudar numa escola pequena tem outra desvantagem, que é a aparentemente exponencialização dos níveis de cuscovelhice, que parecem atingir também os professores. O limitado número de colegas também leva a alguma limitação nas nossas amizadas e perspectivas, principalmente tendo em conta que tipicamente todos partilham um background relativamente semelhante.

Nada que não se corrija no futuro no entanto, e devo dizer que não me arrependo de ter frequentado a academia por quinze anos e que a recomendaria sem grandes descargos de consciência. Como em tudo na vida, tem as suas vantagens e desvantagens. Somos os maiores? Talvez. Mas é importante perceber porquê e à custa do quê.


Filipe Baptista de Morais

Porto Fun Race

Após me ver impedido de participar na Maratona de Lisboa decidi vingar-me na Maratona do Porto. Infelizmente já tinha entrado na última fase de inscrições, em que o preço rondava os 60€, pelo que acabei de desistir da ideia. Decidi, no entanto, participar na Fun Race (6Km).

Como o próprio nome indica, encarei a prova apenas como diversão e um bom pretexto para ir até ao Porto passear um pouco, e visitar familiares que tenho por lá. O Porto é de facto uma cidade linda e encantandora, por vezes confundida com um mero pouso de apreciadores de vinho. Os Nortenhos são, debaixo da sua carapaça de gente rude e do pseudo-ódio aos Sulistas (sim, Lisboa fica lá bem para o Sul), bastante amáveis e prestáveis.

 Os 6Km da corrida passaram rápida e facilmente, na melhor das companhias. A partida foi um caos e o percurso era tudo menos plano, mas para uma distância tão curta mal se nota. Fica no entanto a dúvida em relação à Maratona, que tinha ideia de ter um dos percursos mais acessíveis mas que agora já me deixa algumas dúvidas. Talvez para o ano...


Filipe Baptista de Morais

PS: Apesar de ter cronometrado a prova, não faço a mais pálida ideia de quanto tempo levei a terminá-la. Fun Race indeed.

domingo, 20 de outubro de 2013

Lisbon Night Run

Yesterday I went to the Lisbon Night Run (10 Km). Overall it was an interesting race, and I guess it reached its main goal of lighting up the city (they gave all runners this speleology lights ). For one, I was in really bad shape (tough weak) and thus just wanted to run it quite relaxed and without any concerns whatsoever with timings. And so I did, crossing the finishing line with the timer marking some (terrible) 49' 41''.

Still, there were some "details" which I did not like. First of all, the two support spots along the track (~3Km and ~7.5Km). Although this is obviously a matter of personal preference, I do fare much better with a single one around the 5-6th Km. Then, the promise of departing zones by previous time records was not met.Finally and most importantly, the kilometer marking were (surely!) wrong. No idea how they messed that up, but it is really enfuriating for a runner.

In order to spice a little bit this dull and short post, two short remarks are in orders. The first concerns the water bottles provided during these races. In short races like this one, I'd say the average runner only drinks about 10cl at each stop. The waste of water (and plastic, due to the casings) you see in every single one of these races is enormous. Clearly some shorted water bottles should exist, if for no other reason than for this purpose alone. In fact, there are so many of these events nowadays that this might be a niche market waiting for an innovative company to come and claim it.

Secondly, it is funny how we can numb the body (with localised pain-killers) in order to get a race done, but not the mind. Perhaps yet another (odd) consequence of the triumph of mind over body.


Filipe Baptista de Morais

sábado, 19 de outubro de 2013

Return

My last post was on the 23rd of September, which makes this one of the longest periods of literary drought since the very beginning of this blog, back in early 2009. Oddly enough, it was also probably one of the periods of my life in which I wrote more. Unfortunately, I did not find my master thesis to be interesting enough to publish in here.

Last Tuesday I went back to IST (my University) in order to fill some paper and wrap-up some formalities. I must say it was somewhat odd to return there after about three months of abstinence; after all I hadn't ever been away for much more than one month for the last five years. The construction work which were taking place at the secondary entrance for as long as I can remember were obviously over, in a classic mockery.

 Passing through ISR( Institute for Systems and Robotics ), my previous (research) workplace, was particularly odd. On my way up on the elevator I kept thinking whether or not to return my access card. I would get my deposit (5€) back, but it would mean losing something which already starts to feel like a pleasant souvenir.

"My" chair had someone else's coat over it. Still, my desk remained as clean and empty as the moment I left it, and as it never while I worked over there. I guess it probably doesn't miss me much.

Soon, I'll be returning to IST for my very last time as a student. In the meantime, hopefully I'll find the time to write from time to time.


Filipe Baptista de Morais

PS: in the end I forgot all about the key card, so I ended up not returning it without reaching any kind of conclusion. Guess it must mean something.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Passion, Fire My Heart

When I was younger I used to love playing this collectible card game called Magic, The Gathering. I could spend entire days going through my cards thinking about good combos to employ in my decks (never really felt like looking for them online) and I still have hundreds (thousands?) of those cards wandering around. The most amazing thing about that passion, besides the large sums of money I was willing to spend on it, was the ammount of mental energy I had available for it. I could name hundreds of those cards, as well as their effects and even picture their illustrations in my mind (I would draw them if I could survive the embarassment). Some of the cards also had somewhat random quotes taken from the series of books (which I have never read) and I also knew most of them by heart.

One of my favourite cards, which was in fact as common as they get, had this quote: Passion, fire my heart. Though seemingly taken from a cheesy romantic book, the phrase was actually a war cry. The card was called Crown Of Fury (really nasty thing in a Goblins deck by the way) and had absolutely nothing to do with love or women. The lesson, already stated repeatedly in this blog, goes as follows: whatever your goal is, be it chasing a woman or slaughtering a bunch of wood elves, you will do it best if you do it with passion.

It is also interesting to notice the association with fire. Fire is a reckless force of nature, blind and unrelenting in its path of destruction. Blind, but blinding as well in all its bright glowing might. So too can untamed passions blind and burn us. And if left to spread and burn strong at their will, they too have a tendency to die out fast. However, look at anyone who has ever really succeeded at anything and you will find the common denominator is the passion for what they do.

Unfortunately, passion is not really something we can create; there is no switch for turning that driving force on. As in Springsteen's song, you can't start a fire without a spark. We can, however, fuel or smother, just like an actual fire. Similarly to when lighting a fireplace, one can use that first tiny spark to light something much larger and more beautiful. This need to be available is also present in Bruce's song, for instance when he sings you can't start a fire worried about your little world falling apart.

The war cry thus seems most appropriate for times when our strength falters and our spirits grow weary. Instead of praying for luck or divine intervention, remember that willpower is mankind's most powerful motor, and that is all you need or should desire to attain your goals. Passion, fire my heart.


Filipe Baptista de Morais

domingo, 4 de agosto de 2013

A Cubic Interaction

As you all know, the Interactable project used to have a website with updated (*cough cough*) news and plans regarding the project, hosted at interactable.tk. Most unfortunately, the website seems to have been put down, and now redirects the visitors to some "interesting" ads. Although our technical staff is investigating the issue, it is still unclear why this happened; we suspect Korean hackers though. Either that or the republic of Tokelau (is it a republic?) went bankrupt and decided to make some budget cuts, namely on free hosting of websites.

For this reason this blog will now feature some of the posts that would be on that website, until our technical staff fixes the issue, which might obviously take a while since we will first need to hire them. That being said, not that much is expected to happen around Interactable in the next months anyway.

In a previous post it was announced that the project would participate in the E3 forum meeting and so it did, under the title "Interactable: a Cubic Interaction" Yep, we went with the cheesy style. It is a great pleasure to announce that Interactable's passing by the E3 Forum was a huge success: the crowd cheered with the live demos and the jury was impressed by the project's potential and innovative concept. The programme was filled with panels of respected speakers who gave their perspectives on the issues of employment and entrepreneurship, and how education is linked to both.
All in all it was an extremely full day where the team was also able to promote some networwking. Last but not least, Interactable was awarded the Most Innovative Product/Technology award by the international jury, leading to yet another boost in confidence and motivation.


Just the week after, Interactable was presented at the LarSyS (Laboratory for Robotics and Systems in Engineering) annual meeting. Despite being somewhat of an intruder (even though two of the team members are/were part of LarSys the project itself is totally out of its scope) the team had the opportunity to do some live demos and explanations, yet again generating interest, positive feedback and suggestions for new applications.

The team is now considering whether or not to let go of the project due to lack of time and added responsibilities. Still, there are already some people of the team's confidence interested in picking it up and taking over the next few miles. The project might then suffer massive changes in its team's composition, but will most likely endure. There should be an update on the project's situation before the end of 2013.


Filipe Baptista de Morais