Estamos em plena época de Natal que, como sempre, equivale a dizer que estamos em época de paz. Ou talvez devesse diver pasmaceira visto que o tempo ranhoso não deixar realmente fazer grande coisa. Não que me esteja a queixar, nada como terminar o ano com uns calmos dias de ociosidade para recarregar baterias.
Parece que os únicos locais que fogem a esta bruma de calma são os centros comerciais. Mais, parecem estar a ser assaltados por um frenesim consumista sem precedentes. Ainda hoje tive que ir ao El Corte Inglês levantar o dorsal para a corrida de S.Silvestre (nada como correr 10Km dia 26 para queimar logo todo o doce espírito Natalício que se impregnou em nós) e vi-me envolto num mar de caos e ruído. Parecia uma daquelas batalhas d' O Senhor dos Aneis. Ou um concerto dos Rise Against.
Já agora aproveito para, Natal à parte, expressar o meu desagrado por esse centro comercial em particular. Genial obra prima do marketing, não tem verdadeiramente lojas no seu sentido físico: os produtos estão espalhados (numa ordem estatísticamente optimizada acredito) por todo o lado, transformando todo o centro numa única e gigante loja. Ora isto é tudo muito bonito para os comerciantes, mas eu pessoalmente não gosto de sair das escadas rolantes e ver-me subitamente emboscado e encurralado por perfumes e roupa de mulher. Cada coisa no seu lugar.
Filipe Baptista de Morais
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
53º Grande Prémio de Natal
Nome da Prova: 53º Grande Prémio de Natal
Comprimento: 9Km
Data: 19 de Dezembro de 2010
Objectivos Mínimos: 40min
Desafio Pessoal: -
Melhor Tempo em Provas do Mesmo Comprimento: -
Prova atípica pela sua díspar distância (9Km, onde é que já se viu?), o 53ª Grande Prémio de Natal apenas me chamou a atenção por ser de facto em plena Lisboa, permitindo-me assim correr em ambiente "competitivo" sem ter que ir a cascos de rolha. Não é que não goste de cascos de rolha (alguns são muito agradáveis) mas, já se sabe, "home sweet home" e sou de facto alfacinha de gema. No entanto não encarei esta prova com muita seriedade, servindo mais como um treino (quanto mais não seja aquecimento para a semana - S.Silvestre de Lisboa). E parece que desta vez o mundo estava em sintonia com a minha condescência, visto que não tinha disponível nenhum do equipamento que usualmente levaria para estas provas de Inverno (calças de lycra, casaco de corrida, Nike + Ipod, luvas de corrida, relógio com cronómetro, polar). Até foi bom para me (re)lembrar que para correr só precisamos dos nossos pés. É incrível como podemos ler fascinados livros de centenas de páginas*, concordar com quase tudo o que está escrito e ainda assim não aprender nada.
Fui assim para a prova sem velocímetro, pedómetro, nada dessas mariquices. Nem um raio de um cronómetro tinha! Embora não o tivesse planeado, revelou-se interessante para ver como se está a moldar o meu ritmo pessoal. Completei a prova em cerca de 35mins, o que revela que ando à volta dos 4mins/km que é um dos objectivos que tenho em vista para corridas futuras. Só falta conseguir mantê-los por 21Km.
Digo "cerca" de 35mins porque de facto não sei muito bem, como já referi não tinha cronómetro e ainda não lançaram os tempos oficiais, apesar de tal ter sido anunciado para as 16 horas. Parece que está na moda anunciar lançamentos só porque sim.
Quanto à prova em si não há muito a dizer, apenas um posto de abastecimento como seria de esperar para uma prova tão curta e um percurso quase inteiramente plano, se bem que de todo não do meu agrado. Isto porque fazíamos a Av.República nos dois sentidos, com os seus horríveis túneis que, apesar de representarem uma inclinação que apenas dura uns segundos, me conseguem quebrar completamente o ritmo.
*Neste caso referia-me ao livro (também já abordado aqui) "Nascidos Para Correr" que tanto implica com as mariquices que hoje em dia utilizamos para correr.
Filipe Baptista de Morais
Comprimento: 9Km
Data: 19 de Dezembro de 2010
Objectivos Mínimos: 40min
Desafio Pessoal: -
Melhor Tempo em Provas do Mesmo Comprimento: -
Prova atípica pela sua díspar distância (9Km, onde é que já se viu?), o 53ª Grande Prémio de Natal apenas me chamou a atenção por ser de facto em plena Lisboa, permitindo-me assim correr em ambiente "competitivo" sem ter que ir a cascos de rolha. Não é que não goste de cascos de rolha (alguns são muito agradáveis) mas, já se sabe, "home sweet home" e sou de facto alfacinha de gema. No entanto não encarei esta prova com muita seriedade, servindo mais como um treino (quanto mais não seja aquecimento para a semana - S.Silvestre de Lisboa). E parece que desta vez o mundo estava em sintonia com a minha condescência, visto que não tinha disponível nenhum do equipamento que usualmente levaria para estas provas de Inverno (calças de lycra, casaco de corrida, Nike + Ipod, luvas de corrida, relógio com cronómetro, polar). Até foi bom para me (re)lembrar que para correr só precisamos dos nossos pés. É incrível como podemos ler fascinados livros de centenas de páginas*, concordar com quase tudo o que está escrito e ainda assim não aprender nada.
Fui assim para a prova sem velocímetro, pedómetro, nada dessas mariquices. Nem um raio de um cronómetro tinha! Embora não o tivesse planeado, revelou-se interessante para ver como se está a moldar o meu ritmo pessoal. Completei a prova em cerca de 35mins, o que revela que ando à volta dos 4mins/km que é um dos objectivos que tenho em vista para corridas futuras. Só falta conseguir mantê-los por 21Km.
Digo "cerca" de 35mins porque de facto não sei muito bem, como já referi não tinha cronómetro e ainda não lançaram os tempos oficiais, apesar de tal ter sido anunciado para as 16 horas. Parece que está na moda anunciar lançamentos só porque sim.
Quanto à prova em si não há muito a dizer, apenas um posto de abastecimento como seria de esperar para uma prova tão curta e um percurso quase inteiramente plano, se bem que de todo não do meu agrado. Isto porque fazíamos a Av.República nos dois sentidos, com os seus horríveis túneis que, apesar de representarem uma inclinação que apenas dura uns segundos, me conseguem quebrar completamente o ritmo.
*Neste caso referia-me ao livro (também já abordado aqui) "Nascidos Para Correr" que tanto implica com as mariquices que hoje em dia utilizamos para correr.
Filipe Baptista de Morais
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
À Falta de Melhor
Neste momento devia estar aqui a pôr imagens e a comentar a experiência da minha primeira maratona (nesta vida), realizada no passado domingo. Não querendo desiludir as expectativas, vou cumprir a 1ª parte:



Pois é, para mim a maratona não passou disso: acordar estremunhado às 7 da manhã (tinha dormido menos de 20 horas nas últimas 3 noites somadas) apenas para verificar que Lisboa sofria os efeitos de chuvas torrenciais, ventos (quase) ciclónicos e trovoada. Felizmente para a minha saúde, não fui louco o suficiente para sair de casa. Mas houve quem fosse, como por exemplo Vasco Azevedo que venceu a prova, embora com uma performance fraquinha, devido (segundo à organização) "ao vento e humidade que se faziam sentir na capital", que é como quem diz que estavam a voar árvores e choviam dilúvios.
Mas chega de desculpas, a verdade é que não me levantei da cama quando outros o fizeram, e por isso tenho menos uma medalha (e menos muitas dores nas pernas também). Bolas. Guardo no entanto a T-shirt, que por acaso é muito engraçada.
Para quem ainda não notou chamo agora a atenção para o facto de ainda não ter escrito nada de interessante: apenas tagarelice e queixumes de um velhote de 20 anos. No entanto enchi meia página (and counting!), numa bela execução daquilo que se chama a arte de falar (ou escrever) sem dizer nada.
À falta de algo melhor para dizer (tirando o tema das suecas que prefiro guardar como trunfo) aproveito ainda para dizer que as últimas semanas têm sido loucas em termos de trabalho, porque alguém da coordenação de cursos do IST se esqueceu que os dias só têm 24horas (e as semanas 7 dias) quando pôs quatro cadeiras com laboratórios e uma com projecto no mesmo semestre. Tal levou a picos (negativos) de performance da minha parte, chegando a fazer um fabuloso record de 2.52 numa avaliação (de 0 a 20). Parece que alguém vai ter que estudar para os exames...Alheios a este frenesim parecem estar os nossos professores, com testes para corrigir à mais de um mês quando a 2ª ronda começa já no sábado. Bah. Ao menos que alguém se divirta nesta altura suponho.
Numa nota mais positiva, estamos quase de férias! E com as férias o Natal e consequentes prendas (adequadas aos tempos de crise) e ano novo, e com ele vida nova. Vida nova, que (desejo) não entre em ruptura com a actual de que tanto gostei este ano!
Filipe Baptista de Morais



Pois é, para mim a maratona não passou disso: acordar estremunhado às 7 da manhã (tinha dormido menos de 20 horas nas últimas 3 noites somadas) apenas para verificar que Lisboa sofria os efeitos de chuvas torrenciais, ventos (quase) ciclónicos e trovoada. Felizmente para a minha saúde, não fui louco o suficiente para sair de casa. Mas houve quem fosse, como por exemplo Vasco Azevedo que venceu a prova, embora com uma performance fraquinha, devido (segundo à organização) "ao vento e humidade que se faziam sentir na capital", que é como quem diz que estavam a voar árvores e choviam dilúvios.Mas chega de desculpas, a verdade é que não me levantei da cama quando outros o fizeram, e por isso tenho menos uma medalha (e menos muitas dores nas pernas também). Bolas. Guardo no entanto a T-shirt, que por acaso é muito engraçada.
Para quem ainda não notou chamo agora a atenção para o facto de ainda não ter escrito nada de interessante: apenas tagarelice e queixumes de um velhote de 20 anos. No entanto enchi meia página (and counting!), numa bela execução daquilo que se chama a arte de falar (ou escrever) sem dizer nada.
À falta de algo melhor para dizer (tirando o tema das suecas que prefiro guardar como trunfo) aproveito ainda para dizer que as últimas semanas têm sido loucas em termos de trabalho, porque alguém da coordenação de cursos do IST se esqueceu que os dias só têm 24horas (e as semanas 7 dias) quando pôs quatro cadeiras com laboratórios e uma com projecto no mesmo semestre. Tal levou a picos (negativos) de performance da minha parte, chegando a fazer um fabuloso record de 2.52 numa avaliação (de 0 a 20). Parece que alguém vai ter que estudar para os exames...Alheios a este frenesim parecem estar os nossos professores, com testes para corrigir à mais de um mês quando a 2ª ronda começa já no sábado. Bah. Ao menos que alguém se divirta nesta altura suponho.
Numa nota mais positiva, estamos quase de férias! E com as férias o Natal e consequentes prendas (adequadas aos tempos de crise) e ano novo, e com ele vida nova. Vida nova, que (desejo) não entre em ruptura com a actual de que tanto gostei este ano!
Filipe Baptista de Morais
domingo, 28 de novembro de 2010
Respect
Há poucas horas atrás esta eu a ver a final do Masters Finals (ARROTA NADAL!) quando reparei (como já havia feito várias vezes noutras ocasiões, inclusivamente em assistir em partidas ao vivo) na pacífica convivência dos adeptos. Vi inclusivamente, num daqueles instantes em que filmam as pessoas nas bancadas e transmitem pos escrãs gigantes, uma linha de adeptos com a bandeira da Espanha logo ao lado doutros com cartazes a apoiar o Federer, todos eles apenas preocupados em serem vistos e apoiarem, e não com os seus "opositores".
Porque será que não se consegue ter o mesmo pacifismo no futebol? A O2 Arena, onde teve lugar o torneio que referi acima, tem capacidade para quase vinte mil pessoas, e esteve cheia durante toda a semana. No entanto não ouvimos falar de pessoas a atirar pedras, golas de golf ou maçãs. Será pela falta de competitividade? Certamente que não, dado tratar-se dum torneio onde apenas entram os 8 melhores tenistas da actualidade, ambiente mais competitivo seria impossível. Rivalidades? O "duelo" Nadal-Federer já se arrasta há anos, sendo a rivalidade mais famosa do tenis e porventura uma das mais marcantes de sempre de qualquer desporto. A diferença está apenas na forma como as pessoas encaram estas rivalidades, que no ténis tem tendência (felizmente) a ser bem mais pacífica que no futebol. A razão de ser disto escapa-se-me. Talvez se deva ao facto de o ténis ser ainda hoje considerado um desporto um pouco elitista. Creio que a maior parte das pessoas imaginaos jogadores de ténis a sairem do court, tomarem o seu baninho, vestirem o fato e gravata e irem para o escritório: o típico executivo. Ainda que tal fosse verdade para os praticantes, continuava a nada dizer sobre os seus adeptos.
O fanatismo (neste caso refiro-me ao desportista mas podia sem perda de generalidade falar do religioso, ou de qualquer outro tipo de facto) nunca traz nada de bom, e o respeito é essencial. Neste caso, o respeito pelo adversário. Dirigentes futebolistas passam a vida a apelar para o mesmo, poderiam talvez aprender algo com o exemplo do ténis. Ver o que se passa nesse desporto (embora só passe na SportTv500 porque em as outras estão a passar 3ª divisao chinesa de futebol), perceber onde reside a diferença, e explorá-la.
Porque será que não se consegue ter o mesmo pacifismo no futebol? A O2 Arena, onde teve lugar o torneio que referi acima, tem capacidade para quase vinte mil pessoas, e esteve cheia durante toda a semana. No entanto não ouvimos falar de pessoas a atirar pedras, golas de golf ou maçãs. Será pela falta de competitividade? Certamente que não, dado tratar-se dum torneio onde apenas entram os 8 melhores tenistas da actualidade, ambiente mais competitivo seria impossível. Rivalidades? O "duelo" Nadal-Federer já se arrasta há anos, sendo a rivalidade mais famosa do tenis e porventura uma das mais marcantes de sempre de qualquer desporto. A diferença está apenas na forma como as pessoas encaram estas rivalidades, que no ténis tem tendência (felizmente) a ser bem mais pacífica que no futebol. A razão de ser disto escapa-se-me. Talvez se deva ao facto de o ténis ser ainda hoje considerado um desporto um pouco elitista. Creio que a maior parte das pessoas imaginaos jogadores de ténis a sairem do court, tomarem o seu baninho, vestirem o fato e gravata e irem para o escritório: o típico executivo. Ainda que tal fosse verdade para os praticantes, continuava a nada dizer sobre os seus adeptos.
O fanatismo (neste caso refiro-me ao desportista mas podia sem perda de generalidade falar do religioso, ou de qualquer outro tipo de facto) nunca traz nada de bom, e o respeito é essencial. Neste caso, o respeito pelo adversário. Dirigentes futebolistas passam a vida a apelar para o mesmo, poderiam talvez aprender algo com o exemplo do ténis. Ver o que se passa nesse desporto (embora só passe na SportTv500 porque em as outras estão a passar 3ª divisao chinesa de futebol), perceber onde reside a diferença, e explorá-la.
sábado, 20 de novembro de 2010
Nada.Tudo.
Há uns tempos vi um filme fabuloso que não poderia deixar de recomendar aqui. Chama-se "Watchmen" e é baseado numa banda desenhada com o mesmo nome e que recomendo com ainda maior veemência.
Sendo um filme de super-heróis mascarados baseado numa BD, tudo nos levaria a pensar tratar-se de um filme para crianças. Essa impressão começa a desintegrar-se à medida que nos vemos envolvidos num enredo extremamente profundo e intrigante, a acrescentar a cenas de violência que não poderiam ter representação num filme para os mais novos.
Não querendo estragar a experiência àqueles que se interessam e irão ver o filme limito-me a referir que é passado num tempo alternativo, durante a guerra fria, em que se forma nos EUA um grupo de corajosos (e mascarados) cidadãos para levar a justiça às ruas. O aparecimento posterior de um verdaderio superherói (no sentido em que tem de facto super poderes) traz toda uma nova dimensão à história. Através da representação de diferentes perspectivas, "Watchmen" faz-nos repensar os conceitos de bem e mal, justiça e o direito de a empregar, e até que ponto os fins justificam os meios. No final, heróico e monstruoso confundem-se de tal maneira que se torna difícil perceber que realmente define um e outro. Absolutamente fabuloso.
A um dado ponto no filme, a (ex-)namorada do quase omnipotente super-herói (agora desinteressado de tudo) tenta convencê-lo a impedir uma guerra nuclear, argumentando que toda a vida na Terra poderia ser extinta. A sua resposta dá muito que pensar "Sim. E o Universo nem daria conta". O facto de algo tão castastrófico como a destruição do nosso planeta ser visto como desprezável pode deixar-nos atónitos, mas só até pensarmos nas dimensões do Universo e nos inserirmos nele. Os nossos problemas, por muito importantes que nos pareçam, reduzem-se à medida que afastamos a perspectiva, e nem precisamos de sair da nossa cidade para que ninguém (ou nada) queria saber deles. É curioso reparar como o mundo pode agoniar quando resplandescemos de energia, ou alegrar-se em festa quando tudo parece desmoronar-se à nossa volta.
A vida é importante, temos um propósito? A vida é importante e para si mesma, não para o contexto em que vive. Quanto ao nosso propósito, acreditando ou não nele, apenas nos diz respeito a nós, sendo indiferente a tudo o resto. Em "Reino dos Céus" o significado da religião é bem espelhado pelas palavras de Saladino, ao ser inquirido sobre qual o valor de Jerusalém: Nada.Tudo.
Filipe Baptista de Morais
Sendo um filme de super-heróis mascarados baseado numa BD, tudo nos levaria a pensar tratar-se de um filme para crianças. Essa impressão começa a desintegrar-se à medida que nos vemos envolvidos num enredo extremamente profundo e intrigante, a acrescentar a cenas de violência que não poderiam ter representação num filme para os mais novos.
Não querendo estragar a experiência àqueles que se interessam e irão ver o filme limito-me a referir que é passado num tempo alternativo, durante a guerra fria, em que se forma nos EUA um grupo de corajosos (e mascarados) cidadãos para levar a justiça às ruas. O aparecimento posterior de um verdaderio superherói (no sentido em que tem de facto super poderes) traz toda uma nova dimensão à história. Através da representação de diferentes perspectivas, "Watchmen" faz-nos repensar os conceitos de bem e mal, justiça e o direito de a empregar, e até que ponto os fins justificam os meios. No final, heróico e monstruoso confundem-se de tal maneira que se torna difícil perceber que realmente define um e outro. Absolutamente fabuloso.
A um dado ponto no filme, a (ex-)namorada do quase omnipotente super-herói (agora desinteressado de tudo) tenta convencê-lo a impedir uma guerra nuclear, argumentando que toda a vida na Terra poderia ser extinta. A sua resposta dá muito que pensar "Sim. E o Universo nem daria conta". O facto de algo tão castastrófico como a destruição do nosso planeta ser visto como desprezável pode deixar-nos atónitos, mas só até pensarmos nas dimensões do Universo e nos inserirmos nele. Os nossos problemas, por muito importantes que nos pareçam, reduzem-se à medida que afastamos a perspectiva, e nem precisamos de sair da nossa cidade para que ninguém (ou nada) queria saber deles. É curioso reparar como o mundo pode agoniar quando resplandescemos de energia, ou alegrar-se em festa quando tudo parece desmoronar-se à nossa volta.
A vida é importante, temos um propósito? A vida é importante e para si mesma, não para o contexto em que vive. Quanto ao nosso propósito, acreditando ou não nele, apenas nos diz respeito a nós, sendo indiferente a tudo o resto. Em "Reino dos Céus" o significado da religião é bem espelhado pelas palavras de Saladino, ao ser inquirido sobre qual o valor de Jerusalém: Nada.Tudo.
Filipe Baptista de Morais
sábado, 6 de novembro de 2010
Tru(e) Blood
Está aí a nova série do momento, True Blood (maravilhosamente traduzida para "Sangue Fresco"). Na verdade já saíu há algum tempo e vai para a 4ª temporada, mas assim a apresentação tem mais impacto.
É uma série que tem tudo aquilo que se pretende hoje em dia: gente jovem, violência, sexo e vampirinhas (e sexo com vampirinhas já agora). Aborda em sub-plano muitos temas interessantes, nomeadamente a solidão da diferença, o racismo, o medo do desconhecido, envelhecimento, drogas e religião. Envolvendo toda esta panóplia filosófica sob um frenético véu de acção, violência e sensualidade True Blood consegue assim manter-nos pregados ao ecrã para uns fáceis e descontraídos momentos de diversão, permitindo-nos ainda debruçarmos a mente sobre o seu intrincado conteúdo se estivermos para isso. Para mim, 5 estrelas.
Faria aqui uma breve exposição sobre o enredo da série, mas não quero que me acusem de spoiler. Vejam.
Filipe Baptista de Morais
É uma série que tem tudo aquilo que se pretende hoje em dia: gente jovem, violência, sexo e vampirinhas (e sexo com vampirinhas já agora). Aborda em sub-plano muitos temas interessantes, nomeadamente a solidão da diferença, o racismo, o medo do desconhecido, envelhecimento, drogas e religião. Envolvendo toda esta panóplia filosófica sob um frenético véu de acção, violência e sensualidade True Blood consegue assim manter-nos pregados ao ecrã para uns fáceis e descontraídos momentos de diversão, permitindo-nos ainda debruçarmos a mente sobre o seu intrincado conteúdo se estivermos para isso. Para mim, 5 estrelas.
Faria aqui uma breve exposição sobre o enredo da série, mas não quero que me acusem de spoiler. Vejam.
Filipe Baptista de Morais
domingo, 24 de outubro de 2010
Corrida do Tejo
Nome da Prova: Corrida do Tejo
Comprimentos: 10Km
Data: 24 de Outubro de 2010
Objectivos Mínimos: - 45m
Desafio Pessoal: - 42m
Melhor Tempo em Provas do Mesmo Comprimento: 42m 34s
Embora pudesse parecer demasiado ambicioso o objectivo de baixar a minha marca dos 42minutos (após ter feito 46minutos na última prova do género) é preciso ter em conta que essa foi a primeira prova da época, para além de que como referi na altura não me preocupei então muito com o tempo nem me senti especialmente cansado no final. Para além disso, o bom resultado na meia maratona do Porto deu-me confiança, sendo que de qualquer modo me sentia em forma. A organização da prova foi, como nos restantes anos, impecável; dois apoios ao longo da prova (aos 3Km e aos 7Km), a zona de partida organizada por tempos (atletas mais rápidos partem à frente de modo a evitar o caos inicial), porta-estandartes e T-shirt técnica e muito gira também. Para quem não sabe do que estou a falar, um porta-estandarte é um atleta contratado pela organização que corre a um ritmo regular uma bandeira por cima a dizer o tempo que vai fazer, podendo os restantes atletas guiar-se assim por eles.
Sendo o meu melhor tempo à data 42m34s, tal deu-me acesso (davam-nos umas pulseiras tipo as das discotecas no algarve) à zona de partida dos sub 45, mas mantendo-me ainda afastado das mais desejadas zonas dos sub 42 e sub 40. Tal revelou-se muito relevante, visto que havia cerca de onze mil participantes e portanto a confusão era muita. Antes da partida avistei mais à frente (na tal cobiçada zona de partida dos sub 40) o porta-estandarte respectivo e decidi tentar acompanha-lo. No entanto após o tiro de partida a confusão na minha zona (faltou a pulseira para a guest zone!) era tanta que o perdi imediatamente de vista. Logo por azar (tosquice vá) os atacadores do ténis esquerdo desapertaram-se perto do marco do 3ºKm, pelo que tive que fazer uma pequena paragem para os voltar a atar. Mais que o tempo perdido (cerca de 15s) conta o esforço (essencialmente mental) que tive de fazer para voltar a entrar no acelerado ritmo que me impunha. Já perto do marco do 6ºKm consegui finalmente avistar (ao loooooonge) o porta-estandarte que tinha decidido acompanhar, e fui gradualmente encurtando a distância. Por volta do 7ºKm passei no segundo posto de apoio, mas nesta altura outra necessidade sobrepunha-se à necessidade de beber: a necessidade de respirar. Rejeitei assim as bebidas que me ofereciam de modo a tentar manter o fôlego. No último quilómetro já me encontrava a uns meros 30m do porta-estandarte, pelo que decidi acelerar para tentar ultrapassá-lo. Má ideia como se veio a revelar: certamente que cheguei perto (10-15m) mas então os pulmões (ou as pernas?) resolveram finalmente dar de si, e cruzei a meta já uns bons 15 segundos após a minha presa. No entanto fiz mesmo assim um excelente tempo para aquilo que tinha vista (39m e 42s), estabelecendo um novo record pessoal, cumprindo o desafio que tinha proposto para prova e ao mesmo tempo aquilo que queria atingir até ao final da época (-40m). Para efeitos estatísticos posso revelar que fiquei em 377º (pode parecer mau mas se nos lembrarmos que são 11000 atletas é top 5%).
Gostaria ainda de agradecer ao compatriota atleta anónimo que me deu boleia até meio caminho do parque dos poetas (que no mapa parecia bem pertinha mas afinal era longe como o raio).
Filipe Baptista de Morais
Comprimentos: 10Km
Data: 24 de Outubro de 2010
Objectivos Mínimos: - 45m
Desafio Pessoal: - 42m
Melhor Tempo em Provas do Mesmo Comprimento: 42m 34s
Embora pudesse parecer demasiado ambicioso o objectivo de baixar a minha marca dos 42minutos (após ter feito 46minutos na última prova do género) é preciso ter em conta que essa foi a primeira prova da época, para além de que como referi na altura não me preocupei então muito com o tempo nem me senti especialmente cansado no final. Para além disso, o bom resultado na meia maratona do Porto deu-me confiança, sendo que de qualquer modo me sentia em forma. A organização da prova foi, como nos restantes anos, impecável; dois apoios ao longo da prova (aos 3Km e aos 7Km), a zona de partida organizada por tempos (atletas mais rápidos partem à frente de modo a evitar o caos inicial), porta-estandartes e T-shirt técnica e muito gira também. Para quem não sabe do que estou a falar, um porta-estandarte é um atleta contratado pela organização que corre a um ritmo regular uma bandeira por cima a dizer o tempo que vai fazer, podendo os restantes atletas guiar-se assim por eles.
Sendo o meu melhor tempo à data 42m34s, tal deu-me acesso (davam-nos umas pulseiras tipo as das discotecas no algarve) à zona de partida dos sub 45, mas mantendo-me ainda afastado das mais desejadas zonas dos sub 42 e sub 40. Tal revelou-se muito relevante, visto que havia cerca de onze mil participantes e portanto a confusão era muita. Antes da partida avistei mais à frente (na tal cobiçada zona de partida dos sub 40) o porta-estandarte respectivo e decidi tentar acompanha-lo. No entanto após o tiro de partida a confusão na minha zona (faltou a pulseira para a guest zone!) era tanta que o perdi imediatamente de vista. Logo por azar (tosquice vá) os atacadores do ténis esquerdo desapertaram-se perto do marco do 3ºKm, pelo que tive que fazer uma pequena paragem para os voltar a atar. Mais que o tempo perdido (cerca de 15s) conta o esforço (essencialmente mental) que tive de fazer para voltar a entrar no acelerado ritmo que me impunha. Já perto do marco do 6ºKm consegui finalmente avistar (ao loooooonge) o porta-estandarte que tinha decidido acompanhar, e fui gradualmente encurtando a distância. Por volta do 7ºKm passei no segundo posto de apoio, mas nesta altura outra necessidade sobrepunha-se à necessidade de beber: a necessidade de respirar. Rejeitei assim as bebidas que me ofereciam de modo a tentar manter o fôlego. No último quilómetro já me encontrava a uns meros 30m do porta-estandarte, pelo que decidi acelerar para tentar ultrapassá-lo. Má ideia como se veio a revelar: certamente que cheguei perto (10-15m) mas então os pulmões (ou as pernas?) resolveram finalmente dar de si, e cruzei a meta já uns bons 15 segundos após a minha presa. No entanto fiz mesmo assim um excelente tempo para aquilo que tinha vista (39m e 42s), estabelecendo um novo record pessoal, cumprindo o desafio que tinha proposto para prova e ao mesmo tempo aquilo que queria atingir até ao final da época (-40m). Para efeitos estatísticos posso revelar que fiquei em 377º (pode parecer mau mas se nos lembrarmos que são 11000 atletas é top 5%).
Gostaria ainda de agradecer ao compatriota atleta anónimo que me deu boleia até meio caminho do parque dos poetas (que no mapa parecia bem pertinha mas afinal era longe como o raio).
Filipe Baptista de Morais
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